Crueldade Atrás do Riso
(fotos gentilmente cedidas pela AILA - ALiança Internacional do Animal)

Enquanto algumas crianças sonham em visitar um circo, é provável que muitos animais forçados a se apresentar sonham em escapar. O colorido alegórico esconde o fato de que os animais usados nos circos são meros cativos forçados a uma atração não natural e freqüentemente submetidos a atos dolorosos. Os circos perderiam rapidamente sua popularidade se os detalhes do tratamento dos animais fossem amplamente divulgados.

O reluzir dos espetáculos circenses contrasta com o que fazem os circos: tornar miserável a vida desses animais. Por natureza os animais não montam em bicicletas, nem saltam através de anéis de fogo. Se o fazem, é a poder de chicotes, de agulhas que dão choques e de outras ferramentas usadas para forçá-los a executar tais proezas.

De acordo com Henry Ringling North, em seu livro "The Circus Kings", os grandes felinos s“o acorrentados a seus pedestais e as cordas s“o enroladas em suas gargantas para que tenham a sensaÁ“o de estarem sendo sufocados. Os ursos tÍm o nariz quebrado durante o treinamento e suas patas queimadas, para forÁ·-los a ficar sobre duas patas. Numa entrevista com o Elephant Alliance, um ex-empregado do Circo americano Ringling Bros. relatou :"era uma pequena, doce e inocente ursa marrom, que nunca machucou ninguČm, mas de vez em quando ela dava problemas pra se equilibrar na corda bamba. Ent“o ela foi espancada com um longo bast“o de metal atČ ficar gritando alto. Ela se tornou t“o neurŰtica que passou a bater a cabeÁa na sua pequena jaula. Finalmente ela morreu."


Urso do Circo Stankowoch
chimpanzé do Circo Stankowich. A jaula é fechada, escura. Foi aberta apenas para a foto.

Um repórter do Hudson News, que trabalhou com o Circo Ringling, descreveu um treino com um chimpanzČ: "Ele apanhou repetidamente com um bast“o. O barulho das pancadas podia ser ouvido do lado de fora da arena e os gritos, ouvia-se de mais longe ainda."

Elefantes, por causa do tamanho e da forÁa, passam, talvez, pelo pior tipo de tratamento. Correntes, ganchos e medo s“o elementos comuns usados no treinamento de elefantes cativos. Elefantes adolescentes, que j· viveram em seu h·bitat natural, s“o dominados ao serem forÁados a ficar de joelhos, acorrentados pelas quatro patas para que n“o possam se mexer e espancados, diariamente, por cerca de um mês. O mesmo tratamento Č usado em elefantes adultos, mas a ind™stria do Circo afirma que isso acontece longe de suas vistas, que os animais j· chegam treinados.

As surras que essas criaturas magnĚficas recebem, s“o dadas com bastžes e objetos de metal pontiagudos. Essas armas s“o usadas nas partes mais sensĚveis do elefante, para magoar e aterrorizar o animal. A Humane Society of the United States encontrou in™meros elefantes com feridas nas partes genitais. O mais terrĚvel Č que essas pessoas que trabalham como treinadores n“o tÍm o menor preparo. A ™nica coisa que aprendem Č a bater no animal.


Madú - Elefante fêmea do Circo Di Nápoli

Tigre do Circo Di Nápoli

Sylvia K. Sikes, em "The Natural History of the African Elephant," afirma: "Š difĚcil vermos l·grimas em olhos de elefantes selvagens, mas Č muito comum vermos nas espČcies cativas".

Š impossĚvel ignorar o fato de que animais usados em circos est“o em ambiente totalmente anti natural. S“o animais selvagens, grandes, que existem para viver em liberdade. Mesmo que suas vidas fossem rodeadas de amor e compaix“o, suas existÍncias continuariam a ser miser·veis.

Por exemplo, durante as temporadas de viagem, quando n“o est“o no picadeiro (o que Č aproximadamente 98% do tempo), os animais s“o confinados em jaulas pequenas e desoladoras, dormindo atr·s de grades e sobre ch“os de concreto. Essa realidade Č muito triste para animais de porte grande e naturalmente ativos. As normas para se manter animais em circos limitam-se a exigir um local onde eles possam ficar em pČ e se virar. O resultado disso s“o jaulas de 4x6x5 pČs para os felinos. Muitos elefantes passam suas vidas inteiras acorrentados.

Os caminhžes e traillers em que os animais s“o obrigados a viajar os expžem a condiÁžes clim·ticas duras, sem ar condicionado ou aquecedor.Muitos animais n“o se adeq¸am ýs mudanÁas clim·ticas e como nem sempre h· veterin·rios presentes, in™meros animais sofrem mortes lentas, sem alimentaÁ“o ou tratamento adequado.

N“o existe "fČrias" para animais de circos, j· que muitos animais s“o alugados para comerciais e outros eventos onde o dono do circo possa ganhar um dinheiro extra. Isso cria uma situaÁ“o ainda mais triste, j· que o "dono" do animal n“o estando perto, os maus tratos podem ser ainda piores.

Quando velhos, os animais s“o vendidos para zoolŰgicos, indivĚduos que os usam como adicional de ganha p“o (animadores de festas infantis) ou para laboratŰrios. Š Űbvio que uma vez que suas "carreiras" est“o terminadas, esses animais n“o tÍm muita esperanÁa de uma vida feliz. Suas vidas terminam nas mesmas condiÁžes em que viverem: confinamento, dor, submiss“o e sofrimento.

O constante confinamento imposto a esses animais atores dia apŰs dia, cria sČrios problemas fĚsicos e psicolŰgicos. A FundaÁ“o "Born Free" conduziu um estudo no qual constatou que elefantes passam 22% do tempo exibindo comportamento atĚpico, como balanÁar a cabeÁa . Eles tambČm notaram que ursos passam mais de 30% do tempo andando de um lado pro outro. Auto-mutilaÁ“o tambČm Č uma reaÁ“o comum ao stress, ý solid“o e ao tČdio causado pela privaÁ“o do contacto com grupos da mesma espČcie e totalmente dominados por seus treinadores.

Sem d™vida, essas magnificentes criaturas de circo, humilhadas, surradas dia apŰs dias, n“o merecem viver essa existÍncia miser·vel.