Arquivo de Notícias - Primeiro Semestre de 2000

1999 - Janeiro a Julho de 2000 - Agosto a Dezembro de 2000 - 2001

Jornal O Globo 10/04/2000 
LEÕES MATAM GAROTO EM CIRCO DE PERNAMBUCO 

RECIFE. Pânico, gritos, correria. A festa de um domingo no circo terminou em tragédia na cidade de Jaboatão dos Guararapes, que fica a 20 quilômetros do Recife. José Miguel dos Santos Fonseca Júnior, de 8 anos, foi retalhado por dois leões no início da noite, durante o intervalo do espetáculo do Circo Vostok, armado no estacionamento do Shopping Center Guararapes. A tragédia aconteceu quando um apresentador chamou crianças para uma sessão de fotografias junto aos cavalos do circo, por trás do picadeiro. 

No circo havia quase 2.000 pessoas e as arquibancadas e camarotes estavam lotados. Segundo testemunhas, não havia qualquer segurança. As fotografias eram tiradas próximo ao túnel gradeado que leva os leões da jaula para o picadeiro e não havia qualquer cerca que isolasse por completo o público. 

O leão estava a caminho do picadeiro, pois seria a próxima atração do espetáculo. Quando Miguel retornava para a platéia com o pai, foi puxado por um leão com violência. Arrastado, o menino gritava e se debatia, sem que ninguém no circo tomasse uma providência. Foi necessária a chegada da polícia, quando um soldado atirou no leão. Mas pouco adiantou. 

O outro animal que estava no túnel arrastou a criança por quase 40 metros e depois a puxou para a jaula, estraçalhando-a. Este leão foi alvejado, mas continuava respirando e ninguém tinha coragem de enfrentar o animal para retirar a criança de suas garras. Chorando muito,o pai do menino tentava desculpar-se pela tragédia: 

- Não foi culpa minha. Não foi falta de cuidado, pensei que o circo era seguro, ninguém vai me dar o filho de volta - dizia, aos prantos, vendo o cadáver do filho no interior da jaula, coberto pelo leão. 

Nesta altura, o pânico já estava estabelecido: crianças chorando, pais gritando, todo mundo querendo sair do circo de uma vez só. Até funcionários do circo, apavorados, corriam para todos os lados. Às 20h30m, a área externa do shopping e a rua lateral foram   interditados para que o segundo leão fosse sacrificado. 

- Foi um horror. Era gente jogando cadeira, garrafa para todos os lados, todo mundo querendo se defender - dizia Lielson Monteiro da Filho. 

Segundo o espectador José Maria Araújo, os vergalhões da jaula do leão tinham 15 a 20 centímetros de distância, o que facilitou a tragédia. Afamília do menino ameaçou processar o circo e o shopping. 

Ontem, enquanto aguardava-se a chegada do IML, o temor era grande: excitados com o sangue que viam, e com o tumulto formado diante da tragédia, 2 outros leões urravam sem parar. O temos era que eles derrubassem as grades da jaula. A segurança era precária. No fim da noite, os outros dois leões foram sacrificados.

Texto publicado no  no TERRA, em 12/04/00 http://www.terra.com.br
 

Já tá na hora de acabar com os animais em circos.

Leões que mataram menino em circo são necropsiados RECIFE - Os quatro leões do circo Vostok que atacaram e mataram o menino José Miguel dos Santos Fonseca Júnior, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana de Pernambuco, foram necropsiados na Universidade Rural de Pernambuco. Segundo o técnico da universidade, não havia nada no estômago dos animais. Há informações de que eles teriam sido alimentados pela última vez na quinta-feira anterior ao ataque. O domador está sendo acusado de ter aberto a grade antes do tempo, o que teria facilitado o ataque dos leões.

Jornal O Globo, 21 de abril de 2.000
DONOS DE CIRCO ABANDONAM 7 LEÕES EM GALPÃO EM NOVA IGUAÇU
Marcus Alencar

O acidente no Circo Vostok, em Pernambuco, há 12 dias, quando um leão matou um menino de 9 anos, transformou uma das principais atrações circenses em sinônimo de medo, chegando a diminuir em 70% o público nos circos do Rio. Preocupados com a queda no movimento, donos de circo estão tirando os felinos do picadeiro e abandonando os animais num galpão na Lagoinha, em Nova Iguaçu. Enjaulados em condições precárias, quatro leões e três leoas, de cerca de 200 quilos cada um e medindo cerca de um metro e meio de comprimento, já começam a assustar os moradores do bairro. 

Apesar do pânico, a professora Marilene Ana da Conceição, de 34 anos, que mora ao lado do galpão, resolveu ajudar a alimentar os animais.
- Só assim tenho a certeza de que eles estão comendo - disse Marilene.

A bravura da professora, no entanto, acaba à noite, quando tem que dormir. Como a parede do seu quarto fica bem ao lado do galpão, ela é obrigada a conviver com o uivos noturnos dos leões: 

- Na noite passada, fui dormir uma hora da manhã. Eles  não podem ficar aqui. Dono do Circo Real de Espanha, em Campo Grande, e proprietário do galpão, Abádio Alves Fernandes entende a  preocupação dos moradores e diz que não tem mais condições de ficar com os bichos.  Tanto o Ibama quanto a Fundação Rio-Zôo já bateram o martelo: não vão ficar com os animais.

- Os leões são de responsabilidade dos donos do circo  - disse o gerente do Ibama, Dionízio Pessamilio. Para Márcio Martins, presidente da Fundação Rio-Zôo, no entanto, cabe ao Ibama encontrar uma solução, já que é a instituição que autoriza a utilização dos animais nos  circos.

- Já temos quatro leões e 13 outros felinos. Não há condições de ficar com mais sete. Um animal como esse come em média seis quilos de carne por dia - explica  Martins, acrescentando que o custo mensal de um leão
 chega a R$ 5 mil. 


Agencia Estado - 11/04/00 Jair Aceituno
PROJETO PROIBE CIRCO COM ANIMAIS

Bauru - O vereador Jose Eduardo Avila (PPB) apresentou hoje aa Camara de Bauru um projeto de lei que proibe a instalacao no municipio de circos que incluam em seu espetaculo a apresentacao de animais ferozes.

Segundo o projeto, cabera aa Prefeitura exigir que os circos declarem a existencia ou nao de animais em seu espetaculo, para depois conceder ou rejeitar o alvara de instalacao e funcionamento. Nao podemos deixar
nossa  populacao correr qualquer tipo de risco, e os acontecimentos de Pernambuco  demonstraram que a presenca do animal no circo e  insegura, diz o vereador que ainda cita principios ecologicos e  ambientais para impor a restricao. 

Avila tambem e o autor da lei municipal que obriga os proprietarios de caes ferozes - pastor alemao,  pitbull e outros - a utilizarem focinheiras nos animais quando saem aas ruas. Apesar de em vigor desde marco do ano passado, a exigencia nao tem sido cumprida pela Prefeitura,  que alega dificuldades para fiscalizar e obrigar seu cumprimento. O vereador afirma que essa omissao ja causou alguns acidentes com caes. 

Segundo o vereador, no caso dos circos o mesmo argumento nao devera prevalecer, pois cabera aos responsaveis pelo alvara concede-lo ou nao, dependendo da presenca de animais perigosos entre os numeros  a serem apresentados.

Folha Online 25/04/00
POLÍCIA INDICIA 11 POR MORTE DE CRIANÇA NO CIRCO VOSTOK
FÁBIO GUIBU, da Agência Folha, em Recife

O delegado da Polícia Civil Washington Luiz Alves, que investiga a morte do garoto José Miguel dos Santos Fonseca Jr., 6, atacado por leões no circo Vostok, indiciou o dono do circo, Alexandre Vostok, e dez empregados dele, sob acusação de homicídio culposo (sem intenção). Alves decretou ainda a prisão preventiva de um dos seguranças do circo,Fábio Pereira Balbino, acusado de prejudicar as investigações. Balbino está foragido.

Das 11 pessoas indiciadas, 9 integravam a equipe encarregada de impedir a aproximação de espectadores da jaula no picadeiro. O outro indiciado é o domador Claudinei Pires da Rocha.

Os indiciados, afirmou, foram citados no inquérito por ģfalha humanaī. Segundo ele, houve ainda negligênciaī_ acusação que poderá aumentar a pena máxima prevista em lei, de três para até quatro anos de reclusão.O inquérito será enviado à Justiça e ao Ministério Público, que poderá acatar a denúncia, acrescentar provas, requisitar investigações ou arquivar o processo. 

Nenhum representante dos órgãos responsáveis pela fiscalização da estrutura do circo e pela concessão da licença de instalação e funcionamento foi punido.

Segundo o delegado, não havia como responsabilizá-los porque não existe lei que regulamente a forma como os animais selvagens devem ser mantidos nos circos.

O advogado do circo, Marcos Antonio Soares, disse que Alexandre Vostok ģvai cumprir o que a Justiça determinarī.ģO delegado cumpriu sua missão e vamos aguardar a defesa prévia.ī 
 
O circo deixou Recife domingo por falta de público. Segundo Soares, apenas 15 pessoas, 12 delas  convidadas, assistiram ao último espetáculo na cidade.

O advogado calcula que o prejuízo do Vostok em  Pernambuco foi de aproximadamente R$ 500 mil. A caravana viajou para Campina Grande (PB), onde deverá se instalar em duas semanas.O acidente com o menino aconteceu no dia 9. O garoto foi puxado por um leão  para dentro da jaula ao passar próximo à grade com o pai, a irmã e um primo. Os quatro faziam parte de um grupo de espectadores que retornava à platéia no intervalo de uma apresentação, após participar de uma sessão de fotos com pôneis atrás do picadeiro.

Jornal O Estado De São Paulo 3/5/00

ELEFANTE ARREMESSA PEDRA CONTRA MENINA EM ZOO
JOSÉ MARIA TOMAZELA 

Estudante sofreu destruição parcial do maxilar e perdeu dez dentes, em Sorocaba 

SOROCABA - O elefante Sandro, uma das principais atrações do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, de Sorocaba, atirou uma pedra de 1 quilo contra o rosto da estudante Ellen Daiane de Almeida, de 9 anos. A menina sofreu fratura no maxilar superior e teve dez dentes quebrados. O acidente ocorreu no fim da tarde de  segunda-feira, no feriado de 1º. de Maio, quando mais de 3 mil pessoas visitaram o zôo. Ellen estava com a mãe, Valquíria Agostinho de Almeida, e outros parentes no local reservado para o público, em frente do recinto do casal de elefantes indianos Sandro e Raísa.

Segundo a mãe, o animal usou a tromba para sugar a pedra no tanque de água. Em seguida, arremessou-a em direção aos visitantes. A pedra bateu na tia da menina, Aracy Agostinho de Almeida, antes de atingi-la. "Achamos que ele ia jogar água", disse Valquíria. Aracy
 ficou com hematoma nas costas.

Ellen levou a pedrada no rosto e, com o impacto, caiu de costas. A mãe socorreu a filha enquanto outros visitantes buscavam socorro. Guardas municipais levaram a menina à Santa Casa. As radiografias mostraram que, além da perda dos dentes, arrancados com raiz, o maxilar superior foi parcialmente destruído. Por essa razão, apenas quatro dentes puderam ser reimplantados.

A estudante está em repouso e se alimenta apenas com líquidos. Ela terá de ser submetida a nova cirurgia para aplicação de prótese no maxiliar. O tratamento foi orçado em R$ 7 mil.  Ellen perdeu o pai há um mês, vítima de derrame cerebral. Sua mãe trabalha como manicure.Ela registrou boletim de ocorrência ontem, pois quer que a filha seja indenizada. A prefeitura de Sorocaba administra o zoológico e assumiu o compromisso de pagar as despesas médicas. 

O elefante Sandro está há mais de 20 anos no zoológico da cidade. Há cinco anos, ele ganhou a companhia da fêmea Raísa, que pertence ao Beto Carrero World, de Santa Catarina. Os biólogos e veterinários do zôo vêm tentando obter o cruzamento do casal. O administrador Eduardo Barros Steffen estranhou o acidente: "Os elefantes costumam usar a tromba para jogar água e areia sobre as costas, mas nunca havia ocorrido um acidente assim." Segundo ele, os jatos de água refrescam esses animais e a areia ajuda a controlar parasitas, como moscas e carrapatos. 

Eventualmente, segundo Steffen, os paquidermes pegam objetos, como latas de bebidas, jogados pelo público, e os arremessam de volta, respondendo à brincadeira. O recinto é dotado de fosso, mureta e isolamento elétrico, mas não tem tela protetora. A distância mínima entre os visitantes e os animais é de 5 metros. "É um recinto considerado modelo e copiado por outros zoológicos."
 
Steffen admitiu a possibilidade de a pedra ter sido jogada no interior do recinto por visitantes. Os elefantes foram recolhidos a suas celas para que os funcionários fizessem um pente-fino no espaço, recolhendo pedras, latas e outros objetos. À tarde, estavam soltos outra vez. Segundo Steffen, o casal continuará exposto aos visitantes.

Da Reuters 25/04/2000 09h04
Em Bangcoc (Tailândia)
TURISTA BRITÂNICA É MORTA POR ELEFANTE NA TAILÂNDIA

Uma jovem britânica foi pisoteada por um elefante em um resort tailandês e acabou morrendo, disse a polícia nesta terça-feira (25).

A turista Andrea Taylor, de 23 anos, foi levada para o hospital Bangcoc-Pattaya, 150 quilômetros a sudoeste de Bangcoc, após o ataque no resort Nongnuj, em Pattaya, na segunda-feira (24). Funcionários do hospital e a polícia não souberam informar de onde a mulher é. O pai de Taylor, Geoffrey, e a irmã, Helen, ficaram feridos ao tentar resgatar Andrea depois que o elefante, que ela estava oferecendo bananas,ficou nervoso e a atacou, disse a polícia.

"O pai dela teve uma perna quebrada e a irmã sofreu ferimentos abdominais", disse à Reuters uma porta-voz do hospital. O hospital disse mais tarde que Helen, de 20 anos, está em condições estáveis após sofrer uma cirurgia abdominal por causa das perfurações provocadas pelo animal.

A polícia disse que está investigando o caso e o proprietário do resort foi acusado de negligência.Não se sabe porque o animal, domesticado, atacou de repente os turistas, disse a polícia.

O elefante foi controlado e está sendo mantido no próprio resort onde o acidente aconteceu. Policiais disseram que um puma atacou um turista russo no mesmo parque, no mês passado. Uma mulher recebeu US$ 4.000 como indenização por um ferimento no braço que sofreu no mesmo local.

Jornal A Tarde 22/04/00 
TEMPO PRESENTE
http://jornal.atarde.com.br

Animais-I
Ainda como eco do caso de leão do circo Vostok que matou uma criança por estar faminto. Estamos às portas do terceiro milênio e já é mesmo hora de acabar com esse negócio de tirar animais do seu habitat para exibir em circos e zoológicos. Existe, aliás, um forte movimento a favor dessa idéia, notadamente na Europa. Quem quiser ver animais selvagens, exóticos etc. que faça um safári (sem caçada, é claro!) à África.

Animais-II
Aliás, há uma corrente de pensamento que defende a pura e simples extinção dos zoológicos. Propõe que, em vez de gastar dinheiro tentando manter ģconfortáveisīanimais dos quais se tirou a liberdade, a alimentação normal, o habitat, enfim, se aplique esse dinheiro para preservar, nos seus locais de origem, as espécies em vias de extinção.

 

O ESTADO DE SAO PAULO -  22/04/00
DONOS DE CIRCO DOAM LEÕES PARA SALVAR ESPETÁCULO
LUCIANA GARBIN

Público diminuiu após a morte de garoto atacado por animais em Pernambuco

Depois que leões de circo atacaram e mataram há duas semanas um menino de 6 anos, em Jaboatão dos Guararapes, área metropolitana do Recife (PE), os circos do País estão em polvorosa. Além de despertar comoção e protestos de entidades de defesa de animais, o acidente causou forte reação que ameaça acabar com uma das mais tradicionais atrações circenses.

Novo alvo de discriminação, os leões têm sido proibidos de entrar em vários municípios. No dia 11, um vereador apresentou em Bauru projeto de lei que proíbe a instalação no município de circos que apresentam animais
ferozes em seus espetáculos. Na semana passada, moradores de Três Corações (MG) chamaram a polícia para interceptar uma caravana de circo mambembe e impedir que entrasse na cidade com um leão.

Para sobreviver à crise que se abateu sobre os picadeiros, vários circos decidiram desfazer-se de seus animais. Desesperados, alguns donos estão abandonando os animais em rodovias. No dia 17, em Varginha (MG), a Polícia Florestal encontrou um leão magro e faminto numa jaula à beira de uma estrada. O responsável foi encontrado, multado e indiciado por maus-tratos.

Doações - Outros circos estão buscando alternativas diferentes. O centenário Circo Stankowich, armado no Tatuapé, na zona leste de São Paulo,divulgou ontem que pretende doar seus cinco leões. Segundo seu proprietário, Antônio Stankowich, de 64 anos, apesar de seus animais serem registrados pelo Ibama e nunca terem atacado ninguém, será uma maneira de o circo sobreviver.

O local de destino dos leões do Stankowich ainda não está definido."Estamos negociando com um mini zoológico particular em São Bernardo do Campo, mas queremos ter certeza de que irão para um bom lugar", revela Stankowich. Para seu filho Márcio, a mudança pode trazer mais malefícios do que benefícios aos leões. "Aqui eles já estão acostumados a nossos tratadores e a gente sabe quantos quilos de comida temos de dar diariamente", diz. "Está todo mundo triste de doá-los e meu filho de 11 anos chora quando ouve falar disso, porque deu mamadeira para eles quando eram filhotes."

Os donos do circo lembram que há uma média de mil leões em picadeiros pelo País. "Se todos os circos decidirem doar, para onde vão os animais?", pergunta o pai. "Os zoológicos não têm condições de sustentar tantos 
animais."

Galpão - Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, proprietários de circo resolveram isolar quatro leões e três leoas em jaulas dentro de um galpão. "Essa é uma solução provisória, pois não temos onde colocar os animais e o Ibama e a Fundação Rio-Zôo não ajudam", disse Abádio Alves Fernandes. Um dos donos do Circo Real de Espanha, ele se juntou a empresários dos Circos Koslov, Africam Circus e Sarrazani na idéia, alegando que o público abandonou os espetáculos circenses com medo das feras.A instalação provisória dos bichos está causando medo nos moradores da região. "Os artistas de circo são ótimas pessoas, mas me dá medo ter de dividir a parede do meu quarto com sete leões", reclamou a professora  Marilene Ana da Conceição.

Em Belo Horizonte, o empresário do Internazionale Circo D'Itália, Vítor Karnak, de 47 anos, pediu ao zoológico da cidade que alojasse por 20 dias os seis leões asiáticos que faziam parte de seu espetáculo. Isso até que ele encontre outro local para deixar os animais em definitivo.A iniciativa, garante Karnak, não tem relação com o  acidente no Vostok, mas,para ele, que é filho de acrobatas romenos e nasceu no circo, o temor pela falta de segurança pode diminuir por algum tempo a platéia dos espetáculos.

Ele ressalta que não é contra a presença de animais nos espetáculos e os grandes circos do Brasil, que, segundo ele, não passam de 15, tratam muito bem dos bichos e são seguros. Sobre os pequenos, prefere não fazer comentários.

Tendência - Apesar disso, o empresário aponta para a tendência mundial de desvalorização de animais como atração circense. Em sua opinião, o `circo do futuro', como chama, valorizará mais o artista. O gerente do circo Beto Carrero World, atualmente em Porto Alegre, Jefferson Rakmer, concorda."Circos e até zoológicos estão perdendo o interesse em leões e outros grandes felinos, como tigres e panteras, pois são animais de manutenção muito cara", afirma. Segundo ele, um leão come aproximadamente 5 quilos de carne por dia e custa, só em alimentação, cerca de R$ 500,00 mensais.O Beto Carrero World deixou de excursionar com os felinos no começo do ano.Agora, seus seis leões permanecem no zoológico do parque, em Penha (SC).

Rakmer não aceita os ataques aos circos, surgidos depois da morte do garoto no Recife. "Só porque caiu um edifício do Sérgio Naya não quer dizer que todas as construtoras não prestam", reclamou. Ele teme que a atividade
até desapareça se não houver cuidado na hora de criticar e lembrou que 10 mil pessoas dependem de circos no Brasil. (Colaboraram Eduardo Kattah, Michel Castellar e Ayrton Centeno).

Circo premiava quem bebia com leão
Angela Lacerda

A "promoção", que existia havia 20 anos, foi cancelada depois da tragédia do Vostok 

RECIFE - No mesmo dia em que José Miguel Fonseca Júnior, de 6 anos, foi atacado e morto por leões no intervalo de um espetáculo do Circo Vostok, no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes, em São Caetano, a 149 quilômetros do Recife, Eronildo dos Santos Caetano, de 19 anos, entrou na jaula de uma leoa do D' Nápoles Circus e tomou uma cerveja em lata.

Como recompensa por ter cumprido o desafio, ganhou uma caixa com 12 unidades da bebida.A "promoção" ganhe uma caixa de cerveja se conseguir beber uma latinha dentro da jaula dos leões era feita havia 20 anos no D'Nápoles, segundo o gerente do circo, Rubens Cristóvão Freire. Ele diz que nunca houve acidente por causa da promoção. Mas, depois da tragédia do Vostok, os dirigentes do D'Nápoles suspenderam o desafio.

A dona do circo, Jocélia Fernandes dos Santos, também cancelou as apresentações dos números com animais ferozes. O motivo, explica, é o clima de apreensão motivado pelo que aconteceu no Vostok. Ninguém soube informar se a suspensão é temporária ou definitiva. O advogado Renato Nunes, que testemunhou a façanha de Caetano, disse que o rapaz tomou a cerveja "num gole só, em um minuto". "A leoa nem se mexeu."

1999 - Janeiro a Julho de 2000 - Agosto a Dezembro de 2000 - 2001