|

Arquivo
de Notícias - Segundo Semestre de 2000
1999
- Janeiro
a Julho de 2000 - Agosto
a Dezembro de 2000 - 2001
08/07/2000
- 14:41:44 - Globo.com
JUSTIÇA
PROÍBE SALTO MORTAL DE GATO EM CIRCO
A advogada Luciana Moisakis
e a veterinária Andréa
Lambert provaram que a indignação
tranformada em ato concreto
pode ter resultados positivos. Indignadas com o número
apresentado pela família russa Sminorf no Mundo Mágico
de Beto Carrero, em cartaz na Praça Onze, no Rio, no qual
um gato persa pula de uma altura de aproximadamente 15 metros (como
mostra o vídeo feito pela veterinária), as duas decidiram
entrar com um recurso na Justiça. O esforço deu certo
e atração foi suspensa pelo juiz da 20ª vara
cível do Rio de Janeiro, Rogério Souza.
Andréa Lambert
tomou conhecimento do número através de uma cliente.
"Fui ao circo conferir o que estava acontecendo acompanhada de uma
câmera", conta ela, que é integrante da União
Societária Protetora dos Animais. Inconformada com o que
viu entrou com uma notícia crime na Delegacia Móvel
do Meio Ambiente e comunicou o fato a advogada Andréa Lambert,
que é membro da Sociedade Protetora dos Animais, através
de uma lista de discussão na Internet. "Achei absurdo
colocarem um gato para pular de uma altura como aquela. Em condições
naturais ele nunca faria isso", acredita ela, que na última
sexta, dia 7 de julho,
entrou com um pedido de suspensão do número na 20ª
vara cível, no Fórum do Rio de Janeiro."A medida cautelar
foi deferida no mesmo dia pelo juiz que enviou um oficial
de justiça até lá para comunicar a proibição
do número". Se descumprir o mandato, circo terá que
pagar R$ 1 mil por cada apresentação.
O gerente do circo,
Jefferson Régis, ficou espantado com a reclamação.
"A família Sminorf está com a gente há quase
seis anos e já apresentou este número em vários
países.
Nunca tivemos este problema",
conta. De acordo
com ele, não há nada demais no salto
mortal do gato. "Ele
pula por livre e espontânea vontade. Não há
ninguém lá em cima o obrigando a saltar. Já
teve dias que ele decidiu não pular", conta o gerente que
ainda não sabe se o circo vai recorrer. "Vamos esperar o
Beto Carrero retornar de um festival de mágica em Portugal
na próxima terça-feira para decidirmos", explica.
Congresso Nacional-
Quinta, 24 de Agosto de 2000.
www.congressonacional.com.br
ANIMAIS
APREENDIDOS EM CIRCO DEVERÃO IR PARA ZOOLÓGICO.
O urso e a lhama apreendidos
na quarta pela promotora do Meio Ambiente de Ribeirão Pires,
Thelma Thais Cavarzere, deverão ser 'adotados' por um zoológico.
Eles pertenciam ao Circo
Di Romenia ñ instalado em Rio Grande da Serra ñ e sofreram maus
tratos.
O proprietário
do circo, Mário Ary Stamkowick, foi indiciado e, caso condenado,
poderá cumprir pena de três meses a um ano de detenção.
Segundo a promotora, ele feriu os artigos 31 e 32 da lei 9.605,
que proíbem a introdução de espécie
animal no país sem parecer técnico oficial favorável
e licença; e por praticar maus tratos, ferir e mutilar animais
domesticados exóticos.O flagrante foi feito pela Polícia
Florestal, e um médico veterinário constatou os maus
tratos e mutilação em um dos animais.
De acordo com Thelma,
as duas patas dianteiras do urso ñ cuja espécie é
de origem norte-americana ñ estavam sem as unhas e falanges. ìRetiraram
as falanges para evitar que o urso utilizasse suas garras para ferirî,
disse.
O animal estava ainda
dentro de uma pequena jaula, que limitava seus movimentos,
além de não ter água disponível. A lhama
encontrava-se amarrada pelo pescoço em uma corda e estava
com a orelha esquerda quebrada.
O proprietário
do Circo di Romenia não foi encontrado nesta quinta pela
reportagem do Diário. Mas seu genro, Marcelo Giglo, disse
que os animais eram bem tratados e que somente faltava uma licença
para que o circopudesse transitar com eles.
Para Giglo, a promotora
apreendeu os animais por ìcaprichoî e para se ìpromoverî. ìMingo
(o urso) foi comprado desse jeito (sem as garras) há nove
anos.î Os funcionários do circo negaram que os animais são
maltratados. ìOs animais são tratados melhor do que a gente.
O urso come a cada três horas e é muito bem cuidadoî,
afirmou o malabarista Ringo Evanovich.
Em relação
ao tamanho da jaula, ele disse que o animal é posto naquela
jaula apenas para ser transportado e enquanto a lona do circo é
armada. Segundo ele, depois que a tenda está pronta, o urso
fica preso por uma corrente com 8 m de comprimento, que é
presa ao solo por uma estaca.
Folha de São
Paulo
8 de agosto de 2.000
INTERIOR PAULISTA
LEÕES
FICAM SOLTOS POR 3 HORAS E SÃO MORTOS
CAROLINA ALVES, ENVIADA
ESPECIAL A SÃO SIMÃO
MARCELO TOLEDODA FOLHA
RIBEIRÃO
Seis leões foram
mortos a tiros de armas e fuzis pela Polícia Militar na madrugada
de ontem em São Simão (285 km de São Paulo).
Os animais eram de propriedade
do American Country Circus, mas estavam em uma jaula no bosque municipal.
Segundo a polícia,
os leões fugiram ontem, por volta das 2h30, após uma
pessoa -ainda não identificada- ter aberto a jaula.
Os animais estavam no
bosque municipal porque a jaula do circo havia sido interditada
pela Vigilância Sanitária.
A jaula do bosque também
está interditada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) há cerca
de 10 anos.
Quatro leões
deixaram o bosque e entraram em uma chácara ao lado. Uma
leoa chegou a andar, por três horas, pelas ruas da região,
incluindo a escola de ensino especial Professor Fausto Nogueira.
A prefeitura colocou
um caminhão de som na rua para avisar a população
sobre a fuga dos animais. O Corpo de Bombeiros de Ribeirão
Preto (319 km de São Paulo) foi acionado, mas chegou ao local
somente após os animais terem sido mortos.
A Associação
dos Defensores dos Animais de Ribeirão repudiou a ação
dos policiais. "Quem lida com esse tipo de animal tem que cercá-lo",
disse Chico Galvão, diretor do Simba Safari.
O tenente da PM de Serra
Azul, André Luís Trevizani, disse que matar os animais
foi a única solução. "Estávamos agindo
em situação de emergência".
O circo havia chegado
à cidade na quarta-feira da semana passada e foi interditado
dois dias depois pela Vigilância Sanitária. A prefeitura
cedeu a jaula e, por isso, o circo pôde funcionar.
Segundo a polícia,
os dois cadeados da jaula foram serrados. O tratador do circo, Luiz
Aguiar, 23, se contradisse em depoimento. Primeiro, disse ao delegado
Fábio Calazans Ramos, 28, que tinha visto quem sabotou a
jaula. Em depoimento formal, negou que soubesse quem a teria aberto.
Segundo o Ibama, o circo não tem a autorização
necessária para funcionar. O gerente do circo e domador dos
animais, Vanderlei Moreira, 29, disse que os leões não
sofriam maus-tratos e que nunca haviam fugido. Ele disse que, se
houve sabotagem, não foi praticada por seus funcionários.
Além dos leões,
o circo tem um urso, um macaco, um búfalo, três pôneis
e três cavalos.
A Folha
constatou que o urso estava em uma jaula amarrada por cordas e sem
cadeado. Um dos cavalos foi ferido por uma patada dos leões.
Animais
comiam duas vezes ao dia
DA ENVIADA ESPECIAL
Os seis leões
mortos ontem pela Polícia Militar, em São Simão,
eram dois filhotes machos de 3 anos, uma leoa de 6, outra de 9 (que
estava no cio) e dois adultos com cerca de 10 anos.
Os animais eram de propriedade
do American Country Circus e teriam sido comprados de outro circo
há um ano.Os leões recebiam duas refeições
diárias (de 12 a 15 kg de carne bovina), segundo o domador
Vanderlei Rogério Pereira.Ele disse que o circo recebia doações
de carne do matadouro municipal de Matão (miúdos e
bezerros nascidos mortos) há pelo menos cinco anos.Ele afirmou
também que os animais nunca haviam fugido e que eram mansos.
"Dois deles, inclusive,
viviam aqui dentro de casa até a idade de 8 meses. Só
tirei quando eles começaram a rasgar o sofá", afirmou
Pereira.Para os integrantes do circo, a morte dos animais foi motivo
de tristeza. "Minha filha de 6 anos ouviu os tiros e gritava para
não matarem os leões."
Ibama
vai aguardar investigação
DA FOLHA RIBEIRÃO
O Ibama
(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)
vai aguardar a investigação da Polícia Civil
para tomar possíveis providências. "Não há
uma legislação específica para circos no Brasil",
afirmou o técnico em ecossistema do órgão,
Osmar Corrêa.
Em São Simão,
para conseguir alvará, o circo tem que mostrar a documentação,
assinar um termo de responsabilidade e pagar taxa de R$ 120.
"Quem lida com animais
selvagens tem que cercá-los de segurança. Não
poderia haver forma de se chegar ao cadeado", disse Chico Galvão,
diretor do Simba Safari. Segundo ele, só há duas hipóteses
para qualificar quem abriu a jaula. "Ou conhece muito bem os animais
ou é um louco. Ninguém abre a jaula do nada. Não
havia segurança no local."
A Associação
dos Defensores dos Animais de Ribeirão repudiou a morte dos
leões. Segundo Cecília Pacagnella, a atitude corretaseria
que os prefeitos proibissem a entrada de circos com animais nas
cidades.
OUTRO
LADO
Gerente
do circo afirma que pretendia doá-los
DA ENVIADA ESPECIAL
O gerente do circo que
teve seis leões mortos pela Polícia Militar, Vanderlei
Rogério Moreira, disse que pretendia se livrar dos animais
assim que fosse possível.
Ele disse que, apesar
de serem bem tratados e "fazerem parte da família", os animais
estavam causando problemas ao circo.
De acordo com ele, a
vigilância sanitária e a prefeitura dos municípios
visitados ofereciam resistência em fornecer alvará
de funcionamento por causa da jaula do circo, que é móvel
e não oferece condições adequadas de segurança.O
chefe da Guarda Municipal de São Simão, Luiz Carlos
do Carmo, confirmou que o circo não pretendia mais manter
os leões.Ele disse que a prefeitura havia entrado em contato
com o Ibama, a Polícia Florestal e bosques da região
em busca de interessados em ficar com os animais.
Jornal DIÁRIO
CATARINENSE - 05set00
www.diario.com.br
FALTA
DE COMIDA MATA TIGRE
Veterinário
que visitou o circo afirma que o animal africano tinha desnutrição
de último grau
DARCI DEBONA CHAPECÓ
As dificuldades do Circo
Super Star, que está há um mês em Xaxim e não
realiza apresentações há três semanas
causaram uma vítima no último sábado. O tigre
africano Pepe, que estava para ser doado pelos proprietários,
não resistiu a uma dieta somaliana e morreu. Apesar das negativas
dos donos, o animal sucumbiu por falta de comida. ìEle apresentava
desnutrição em último grauî, afirmou o veterinário
da Cidasc, Jair Bueno de Andrade.
A Sociedade Ambiental
de Xaxim e a Vigilância Sanitária receberam denúncias
anônimas de maus-tratos aos animais e, na sexta-feira, foram
ao circo conferir a situação (o Ibama não agiu
no caso). Pepe não conseguia nem andar e pesava apenas 200
quilos, metade do normal.
Com o auxílio
de dois veterinários, o tigre recebeu tratamento e vitaminas,
mas não foi o suficiente. ìOs órgãos
estavam muito debilitados e não reagiramî, afirmou Andrade.
A Polícia Ambiental
tomou depoimento ontem dos proprietários do circo, João
Carlos Brites e Sílvia Patrícia Di Bernardi.
Brites afirmou que Pepe
comia 6 a 10 quilos de carne a cada dois dias, mas que nos últimos
dias não se alimentava.
Reconheceu que queria
doar o animal pois o circo estava com problemas financeiros. Brites
somente não doou pois não encontrou um local adequado,
como um zoológico, para colocar um animal violento.
Até as jaulas
precisavam de uma reforma e o dono do circo temia pelo pior. Agora,
ele pretende voltar para Porto Alegre, onde tem residência
fixa. O comandante da Polícia Ambiental em Chapecó,
tenente Ademar Casanova, informou que hoje será encaminhado
um termo circunstancial do ocorrido para a promotora do Ministério
Público em Xaxim, Vânia Cella Piazza. Uma audiência
com os proprietários está marcada para amanhã,
às 14h30min. Por ser considerado crime de menor potencial,
a pena de 3 meses a um ano de detenção deve ser transformada
em multa.
O objetivo é
evitar que os demais animais do circo, uma lhama, um cavalo e seis
pôneis, tenham o mesmo fim. ìÉ um alerta para
evitar que isso aconteça com outros circosî, concluiu Casanova.
Diário Popular
- SP - 16.04.00
ESPECIALISTA CRITICA TREINO DE ANIMAIS EM
CIRCOS
O especialista em comportamento
animal Jairo Motta, que treina animais para propagandas, explica
que muitos circos ainda adestram os animais pelo método descoberto
pelo cientista russo Ivan Pavlov, morto em 1936, e que implica em
condicionamento através da dor.
Os famosos ursos dançantes,
por exemplo, são obrigados a pisar em chapas de metal incandescente
ao som de uma determinada música. No picadeiro, os ursos
ouvem a música usada durante a tortura e começam a
se movimentar, dando a impressão de estar dançando,
mas na verdade apenas se lembram das chapas quentes e, automaticamente,
começam a erguer as patas.
O domador de leões
acerta o chicote na ponta dos dedos ou no lombo dos animais.Depois
de um certo tempo, ao estalo do chicote no chão, o animal
já se intimida porque associa o barulho à chibatada.
"Além disso, são usadas barras de ferro e choques
elétricos", comenta Motta.
Mantidos em cativeiros,
os animais ficam estressados e podem adquirir hábitos como
andar em círculos, morder as grades, mastigar correntes ou
dormir demais. As jaulas muitas vezes mal permitem ao animal ficar
em pé. A depressão leva alguns à morte. Os
ataques ferozes à platéia costumam ocorrer após
anos de tédio e tortura. Mas a morte do garoto no Circo Vostok,
segundo o especialista, foi muito mais por negligência do
que por maus-tratos.
"Quem nasce fera será
fera até morrer. O leão teria atacado o garoto, um
cachorro ou qualquer outro ser vivo que passasse por perto, mesmo
estando alimentado. As péssimas instalações
agravam o estresse do animal, mas ele também carrega uma
índole selvagem e nunca poderá ser encarado como um
gatinho. É imprevisível."
Parte da coluna de
Mônica Bergamo
Folha de São Paulo - 23/11/00
Original em: ww.terra.com.br - 16/12/2000
TIGRES
MATAM DOMADORA NA ÍNDIA
Uma artista de circo
de 20 anos foi esquartejada por três tigres durante uma apresentação
no Estado indiano de Bengal, informou a agência Press Trust
da Índia neste sábado.
A agência de notícias
disse que a domadora Rita Chhetri foi atacada no distrito de Howrah
tarde na sexta-feira, durante um ato com nove tigres. Eles teriam
que pular por cima dela e depois passar por dentro de um anel. Um
dos tigres de repente pulou em cima da moça e mais outros
dois resolveram fazer a mesma coisa.Chhetri morreu a caminho do
hospital.
|