Arquivo de Notícias - Segundo Semestre de 2000

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08/07/2000 - 14:41:44 - Globo.com
JUSTIÇA PROÍBE SALTO MORTAL DE GATO EM CIRCO

A advogada Luciana Moisakis e a veterinária Andréa Lambert provaram que a indignação
tranformada em ato concreto pode ter  resultados positivos. Indignadas com o número apresentado pela família russa Sminorf no Mundo Mágico de Beto Carrero, em cartaz na Praça Onze, no Rio, no qual um gato persa pula de uma altura de aproximadamente 15 metros (como mostra o vídeo feito pela veterinária), as duas decidiram entrar com um recurso na Justiça. O esforço deu certo e atração foi suspensa pelo juiz da 20ª vara cível do Rio de Janeiro, Rogério Souza.

Andréa Lambert tomou conhecimento do número através de uma cliente. "Fui ao circo conferir o que estava acontecendo acompanhada de uma câmera", conta ela, que é integrante da União Societária Protetora dos Animais. Inconformada com o que viu entrou com uma notícia crime na Delegacia Móvel do Meio Ambiente e comunicou o fato a advogada Andréa Lambert, que é membro da Sociedade Protetora dos Animais, através de uma lista de discussão na Internet.  "Achei absurdo colocarem um gato para pular de uma altura como aquela. Em condições naturais ele nunca faria isso", acredita ela, que na última sexta, dia 7 de julho, entrou com um pedido de suspensão do número na 20ª vara cível, no Fórum do Rio de Janeiro."A medida cautelar foi  deferida no mesmo dia pelo juiz que enviou um oficial de justiça até lá para comunicar a proibição do número". Se descumprir o mandato, circo terá que pagar R$ 1 mil por cada apresentação.

O gerente do circo, Jefferson Régis, ficou espantado com a reclamação. "A família Sminorf está com a gente há quase seis anos e já apresentou este número em vários países.

Nunca tivemos este problema", conta. De acordo com ele, não há nada demais no salto
mortal do gato. "Ele pula por livre e espontânea vontade. Não há ninguém lá em cima o obrigando a saltar. Já teve dias que ele decidiu não pular", conta o gerente que ainda não sabe se o circo vai recorrer. "Vamos esperar o Beto Carrero retornar de um festival de mágica em Portugal na próxima terça-feira para decidirmos", explica.

Congresso Nacional- Quinta, 24 de Agosto de 2000.
www.congressonacional.com.br
ANIMAIS APREENDIDOS EM CIRCO DEVERÃO IR PARA ZOOLÓGICO.

O urso e a lhama apreendidos na quarta pela promotora do Meio Ambiente de Ribeirão Pires, Thelma Thais Cavarzere, deverão ser 'adotados' por um zoológico. Eles pertenciam ao Circo Di Romenia ñ instalado em Rio Grande da Serra ñ e sofreram maus tratos.

O proprietário do circo, Mário Ary Stamkowick, foi indiciado e, caso condenado, poderá cumprir pena de três meses a um ano de detenção. Segundo a promotora, ele feriu os artigos 31 e 32 da lei 9.605, que proíbem a introdução de espécie animal no país sem parecer técnico oficial favorável e licença; e por praticar maus tratos, ferir e mutilar animais domesticados exóticos.O flagrante foi feito pela Polícia Florestal, e um médico veterinário constatou os maus tratos e mutilação em um dos animais.

De acordo com Thelma, as duas patas dianteiras do urso ñ cuja espécie é de origem norte-americana ñ estavam sem as unhas e falanges. ìRetiraram as falanges para evitar que o urso utilizasse suas garras para ferirî, disse.

O animal estava ainda dentro de uma pequena jaula, que  limitava seus movimentos, além de não ter água disponível. A lhama encontrava-se amarrada pelo pescoço em uma corda e estava com a orelha esquerda quebrada.

O proprietário do Circo di Romenia não foi encontrado nesta quinta pela reportagem do Diário. Mas seu genro, Marcelo Giglo, disse que os animais eram bem tratados e que somente faltava uma licença para que o circopudesse transitar com eles.

Para Giglo, a promotora apreendeu os animais por ìcaprichoî e para se ìpromoverî. ìMingo (o urso) foi comprado desse jeito (sem as garras) há nove anos.î Os funcionários do circo negaram que os animais são maltratados. ìOs animais são tratados melhor do que a gente. O urso come a cada três horas e é muito bem cuidadoî, afirmou o malabarista Ringo Evanovich.

Em relação ao tamanho da jaula, ele disse que o animal é posto naquela jaula apenas para ser transportado e enquanto a lona do circo é armada. Segundo ele, depois que a tenda está pronta, o urso fica preso por uma corrente com 8 m de comprimento, que é presa ao solo por uma estaca.

Folha de São Paulo
8 de agosto de 2.000

INTERIOR PAULISTA
LEÕES FICAM SOLTOS POR 3 HORAS E SÃO MORTOS
CAROLINA ALVES, ENVIADA ESPECIAL A SÃO SIMÃO
MARCELO TOLEDODA FOLHA RIBEIRÃO

Seis leões foram mortos a tiros de armas e fuzis pela Polícia Militar na madrugada de ontem em São Simão (285 km de São Paulo).

Os animais eram de propriedade do American Country Circus, mas estavam em uma jaula no bosque municipal.

Segundo a polícia, os leões fugiram ontem, por volta das 2h30, após uma pessoa -ainda não identificada- ter aberto a jaula.

Os animais estavam no bosque municipal porque a jaula do circo havia sido interditada pela Vigilância Sanitária.

A jaula do bosque também está interditada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) há cerca de 10 anos.

Quatro leões deixaram o bosque e entraram em uma chácara ao lado. Uma leoa chegou a andar, por três horas, pelas ruas da  região, incluindo a escola de ensino especial Professor Fausto Nogueira.

A prefeitura colocou um caminhão de som na rua para avisar a população sobre a fuga dos animais. O Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto (319 km de São Paulo) foi acionado, mas chegou ao local somente após os animais terem sido mortos.

A Associação dos Defensores dos Animais de Ribeirão repudiou a ação dos policiais. "Quem lida com esse tipo de animal tem que cercá-lo", disse Chico Galvão, diretor do Simba Safari.

O tenente da PM de Serra Azul, André Luís Trevizani, disse que matar os animais foi a única solução. "Estávamos agindo em situação de emergência".

O circo havia chegado à cidade na quarta-feira da semana passada e foi interditado dois dias depois pela Vigilância Sanitária. A prefeitura cedeu a jaula e, por isso, o circo pôde funcionar.

Segundo a polícia, os dois cadeados da jaula foram serrados. O tratador do circo, Luiz Aguiar, 23, se contradisse em depoimento. Primeiro, disse ao delegado Fábio Calazans Ramos, 28, que tinha visto quem sabotou a jaula. Em depoimento formal, negou que soubesse quem a teria aberto. Segundo o Ibama, o circo não tem a autorização necessária para funcionar. O gerente do circo e domador dos animais, Vanderlei Moreira, 29, disse que os leões não sofriam maus-tratos e que nunca haviam fugido. Ele disse que, se houve sabotagem, não foi  praticada por seus funcionários.

Além dos leões, o circo tem um urso, um macaco, um búfalo, três pôneis e três cavalos.

A Folha constatou que o urso estava em uma jaula amarrada por cordas e sem cadeado. Um dos cavalos foi ferido por uma patada dos leões.

Animais comiam duas vezes ao dia
DA ENVIADA ESPECIAL

Os seis leões mortos ontem pela Polícia Militar, em São Simão, eram dois filhotes machos de 3 anos, uma leoa de 6, outra de 9 (que estava no cio) e dois adultos com cerca de 10 anos.

Os animais eram de propriedade do American Country Circus e teriam sido comprados de outro circo há um ano.Os leões recebiam duas refeições diárias (de 12 a 15 kg de carne bovina), segundo o domador Vanderlei Rogério Pereira.Ele disse que o circo recebia doações de carne do matadouro municipal de Matão (miúdos e bezerros nascidos mortos) há pelo menos cinco anos.Ele afirmou também que os animais nunca haviam fugido e que eram mansos.

"Dois deles, inclusive, viviam aqui dentro de casa até a idade de 8 meses. Só tirei quando eles começaram a rasgar o sofá", afirmou Pereira.Para os integrantes do circo, a morte dos animais foi motivo de tristeza. "Minha filha de 6 anos ouviu os tiros e gritava para não matarem os leões."

Ibama vai aguardar investigação
DA FOLHA RIBEIRÃO


O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) vai aguardar a investigação da Polícia Civil para tomar possíveis providências. "Não há uma legislação específica para circos no Brasil", afirmou o técnico em ecossistema do órgão, Osmar Corrêa.

Em São Simão, para conseguir alvará, o circo tem que mostrar a documentação, assinar um termo de responsabilidade e pagar taxa de R$ 120.

"Quem lida com animais selvagens tem que cercá-los de segurança. Não poderia haver forma de se chegar ao cadeado", disse Chico Galvão, diretor do Simba Safari. Segundo ele, só há duas hipóteses para qualificar quem abriu a jaula. "Ou conhece muito bem os animais ou é um louco. Ninguém abre a jaula do nada. Não havia segurança no local."

A Associação dos Defensores dos Animais de Ribeirão repudiou a morte dos leões. Segundo Cecília Pacagnella, a atitude corretaseria que os prefeitos proibissem a entrada de circos com animais nas cidades.

OUTRO LADO
Gerente do circo afirma que pretendia doá-los
DA ENVIADA ESPECIAL

O gerente do circo que teve seis leões mortos pela Polícia Militar, Vanderlei Rogério Moreira, disse que pretendia se livrar dos animais assim que fosse possível.

Ele disse que, apesar de serem bem tratados e "fazerem parte da família", os animais estavam causando problemas ao circo.

De acordo com ele, a vigilância sanitária e a prefeitura dos municípios visitados ofereciam resistência em fornecer alvará de funcionamento por causa da jaula do circo, que é móvel e não oferece condições adequadas de segurança.O chefe da Guarda Municipal de São Simão, Luiz Carlos do Carmo, confirmou que o circo não pretendia mais manter os leões.Ele disse que a prefeitura havia entrado em contato com o Ibama, a Polícia Florestal e bosques da região em busca de interessados em ficar com os animais.

Jornal  DIÁRIO CATARINENSE - 05set00
www.diario.com.br

FALTA DE COMIDA MATA TIGRE

Veterinário que visitou o circo afirma que o animal  africano tinha desnutrição de último grau

DARCI DEBONA CHAPECÓ

As dificuldades do Circo Super Star, que está há um mês em Xaxim e não realiza apresentações há três semanas causaram uma vítima no último sábado. O tigre africano Pepe, que estava para ser doado pelos proprietários, não resistiu a uma dieta somaliana e morreu. Apesar das negativas dos donos, o animal sucumbiu por falta de comida. ìEle apresentava desnutrição em último grauî, afirmou o veterinário da Cidasc, Jair Bueno de Andrade.

A Sociedade Ambiental de Xaxim e a Vigilância Sanitária receberam denúncias anônimas de maus-tratos aos animais e, na sexta-feira, foram ao circo conferir a situação (o Ibama não agiu no caso). Pepe não conseguia nem andar e pesava apenas 200 quilos, metade do  normal.

Com o auxílio de dois veterinários, o tigre recebeu tratamento e vitaminas, mas não foi o suficiente. ìOs órgãos  estavam muito debilitados e não reagiramî, afirmou Andrade.

A Polícia Ambiental tomou depoimento ontem dos proprietários do circo, João Carlos Brites e Sílvia Patrícia Di Bernardi.

Brites afirmou que Pepe comia 6 a 10 quilos de carne a cada dois dias, mas que nos últimos dias não se alimentava. 

Reconheceu que queria doar o animal pois o circo estava com problemas financeiros. Brites somente não doou pois não encontrou um local adequado, como um zoológico, para colocar um animal violento. 

Até as jaulas precisavam de uma reforma e o dono do circo temia pelo pior. Agora, ele pretende voltar para Porto Alegre, onde tem residência fixa. O comandante da Polícia Ambiental em Chapecó, tenente Ademar Casanova, informou que hoje será encaminhado um termo circunstancial do ocorrido para a promotora do Ministério Público em Xaxim, Vânia Cella Piazza. Uma audiência com os proprietários está marcada para amanhã, às 14h30min. Por ser considerado crime de menor potencial, a pena de 3 meses a um ano de detenção deve ser transformada em multa.

O objetivo é evitar que os demais animais do circo, uma lhama, um cavalo e seis pôneis, tenham o mesmo fim. ìÉ um alerta  para evitar que isso aconteça com outros circosî, concluiu Casanova.

Diário Popular -  SP - 16.04.00
ESPECIALISTA CRITICA TREINO DE ANIMAIS EM CIRCOS

O especialista em comportamento animal Jairo Motta, que treina animais para  propagandas, explica que muitos circos ainda adestram os animais pelo método descoberto pelo cientista russo Ivan Pavlov, morto em 1936, e que implica em condicionamento através da dor.

Os famosos ursos dançantes, por exemplo, são obrigados a pisar em chapas de metal incandescente ao som de uma determinada música. No picadeiro, os ursos ouvem a música usada durante a tortura e começam a se movimentar, dando a impressão de estar dançando, mas na verdade apenas se lembram das chapas quentes e, automaticamente, começam a erguer as patas.

O domador de leões acerta o chicote na ponta dos dedos ou no lombo dos animais.Depois de um certo tempo, ao estalo do chicote no chão, o animal já se intimida porque associa o barulho à chibatada. "Além disso, são usadas barras de ferro e  choques elétricos", comenta Motta.

Mantidos em cativeiros, os animais ficam estressados e podem adquirir hábitos como andar em círculos, morder as grades, mastigar correntes ou dormir demais. As jaulas muitas vezes mal permitem ao animal ficar em pé. A depressão leva alguns à morte. Os ataques ferozes à platéia costumam ocorrer após anos de tédio e tortura. Mas a morte do garoto no Circo Vostok, segundo o especialista, foi muito mais por negligência do que por maus-tratos.

"Quem nasce fera será fera até morrer. O leão teria atacado o garoto, um cachorro ou qualquer outro ser vivo que passasse por perto, mesmo estando alimentado. As péssimas instalações agravam o estresse do animal, mas ele também carrega uma índole selvagem e nunca poderá ser encarado como um gatinho. É imprevisível."

Parte da coluna de Mônica Bergamo
Folha de São Paulo - 23/11/00

 


Original  em: ww.terra.com.br  - 16/12/2000
TIGRES MATAM DOMADORA NA ÍNDIA

Uma artista de circo de 20 anos foi esquartejada por três tigres durante uma apresentação no Estado indiano de Bengal, informou a agência Press Trust da Índia neste sábado.

A agência de notícias disse que a domadora Rita Chhetri foi atacada no distrito de Howrah tarde na sexta-feira, durante um ato com nove tigres. Eles teriam que pular por cima dela e depois passar por dentro de um anel. Um dos tigres de repente pulou em cima da moça e mais outros dois resolveram fazer a mesma coisa.Chhetri morreu a caminho do hospital.