Arquivo de Notícias - 2001

1999 - Janeiro a Julho de 2000 - Agosto a Dezembro de 2000 - 2001

Jornal Primeiramão - São Paulo - 07/07/01
CIRCO DI NAPOLI COMPRA CÃES E GATOS VELHOS
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Jornal O Dia 17/08/2001

TRAPEZISTA ATACADO POR LEOA NO PARANÁ


O trapezista do Circo Imperial do MÈxico, armado na cidade paranaense de Quitandinha, teve de amputar um braÁo apÛs ter sido atacado por uma leoa, quarta-feira ý noite. Marcelo Magno da Silva, 25 anos, foi internado no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, onde ficar· em observaÁ“o, por uma semana. Marcelo - que tambÈm È um palhaÁo do circo - contou que, apÛs vitÛria da seleÁ“o sobre o Paraguai, tomou v·rias cervejas. Depois, ele teria ajudado um trabalhador a alimentar os ležes. DistraÌdo, foi atacado por uma leoa, que dilacerou seu braÁo.

Jornal O Dia 17/08/2001
BWANA PARK - BETO CARRERO

Restos de animais usados como raÁ“o Veterin·rio diz que Bwana Park recolhia bichos do lixo para servir de alimento PatrÌcia Melo e Souza Chamado para depor na Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente, sobre a descoberta dos 80 bichos encontrados mortos nos freezers do Bwana Park, em Guaratiba, terÁa-feira, o ex-veterin·rio AndrÈ Luiz Paiva Sena Maia, 29 anos, revelou um bastidor de horrores: desde outubro, por escassez de comida, a ex- propriet·ria Eliete Vieira dos Santos comprava de garis da Comlurb passarinhos e cavalos mortos na Estrada Rio-Santos, para que servissem de alimento aos bichos. "Muitos n“o podÌamos aproveitar, pois j· chegavam p™tridos", disse AndrÈ, acrescentando que h· 20 dias ele denunciara as prec·rias condiÁžes ý PolÌcia Federal e ao Ibama, mas nada foi feito. O veterin·rio disse ainda que fez a mesma den™ncia ao Ibama em outubro.

Ontem, o Ibama fez uma recontagem e encontrou 190 bichos que sobreviveram ý fome. Para garantir a alimentaÁ“o dos animais, foi firmado convÍnio entre o novo propriet·rio, de identidade desconhecida, e o ZoolÛgico de NiterÛi, com patrocÌnio da Petrobras.

Ex-propriet·ria acusada pela desnutriÁ“o

AndrÈ tambÈm contou que os bichos nascidos em cativeiro eram vendidos ilegalmente, sem a autorizaÁ“o do Ibama. Um dos compradores teria sido o empres·rio Beto Carrero, que ser· chamado para depor pelo delegado. Por R$ 25 mil, ele teria adquirido para seu circo duas chimpanzÈs fÍmeas, h· dois anos. A histÛria foi confirmada, durante depoimento, por Daniel Antoine Marmy, 50, gerente do parque entre 1998 e fevereiro, que reassumiu o cargo terÁa-feira. J· o publicit·rio que administrou o Bwana mÍs passado, Eduardo Henrique Leal Menezes, 30, negou ser o respons·vel pelos animais: "Quem cuidava dessa parte era a propriet·ria, Eliete. Eu n“o sabia de nada".

JORNAL O POVO, 01.12.01 - Fortaleza
EDITORIAL "Ameaca no Circos"

Fuga da leoa em Paracuru reabre debate sobre animais em espetaculos. (01dezembro - 21h07min)

A fuga de uma leoa no circo instalado no povoado de Salgado, no municÌpio de Maracana™, o conseq¸ente p’nico da populaÁ“o do municÌpio e a caÁada ý fera com destaque na mÌdia nacional vÍm reativar a polÍmica em torno da utilizaÁ“o de animais selvagens - domesticados ou n“o - em exibiÁžes para o p™blico.

Acreditam os advers·rios dessa pr·tica, principalmente as pessoas ligadas ýs entidades de proteÁ“o aos animais, que usar exemplares da fauna silvestre - nacional ou estrangeira - como divers“o significa uma crueldade para os animais e um perigo para as pessoas. H· sempre a possibilidade de fuga ou reaÁ“o contra domadores ou assistentes durante os espet·culos, principalmente quando se trata de ležes, tigres e outras espÈcies consideradas ferozes.

O circo, derivado da palavra latina circu (cÌrculo), sempre esteve no imagin·rio de todas as pessoas em diferentes paÌses do mundo ao longo dos anos. Os palhaÁos, m·gicos, trapezistas e outros artistas ainda encantam a mente das crianÁas em pleno 3† MilÍnio, apesar do surgimento dos videogames de ™ltima geraÁ“o, da televis“o a cabo e de outras diversžes que oferecem maiores encantos ao p™blico infantil.

Sua origem est· no grande anfiteatro onde povos antigos se reuniam para jogos p™blicos. H· tambÈm primÛrdios sombrios: no coliseu romano, seres humanos eram jogados na arena para serem devorados por animais ferozes. Essas cenas de selvageria eram aplaudidas pelo p™blico ·vido de sensaÁžes. As poderosas elites romanas criaram atÈ a express“o panen et circenses (p“o e jogos de circo), utilizada, na Època, para desviar a atenÁ“o do povo dos problemas cotidianos.

O cativeiro impže sofrimento aos animais habituados com a liberdade e que s“o retirados ý forÁa do seu habitat: as florestas ou savanas da ¡frica e ¡sia. O estresse se torna maior quando eles s“o treinados para exibiÁžes p™blicas, exercÌcios esses acompanhados de chicotadas ou outros castigos. H· tambÈm o problema da alimentaÁ“o. Em muitos casos, circos de pequeno e mÈdio porte n“o tÍm recursos para provimento das necessidades b·sicas dos animais. Ležes e tigres s“o carnÌvoros por natureza e necessitam de grande quantidade de alimento por dia. Muitos desses animais vivem famintos e algumas vezes morrem por falta de comida.

H· ainda o grave problema da seguranÁa e muitos circos n“o possuem as mÌnimas condiÁžes de manter animais ferozes no cativeiro. J· aconteceram, no Brasil, v·rios casos de mortes de pessoas devido ý negligÍncia de propriet·rios e funcion·rios.

No dia 18 de maio de 1997, em Tiangu·, o garoto JosÈ VinÌcius Silva Aguiar, de quatro anos de idade, foi atacado e morto por um le“o quando se encontrava numa locadora de vÌdeo. O domador, irresponsavelmente, circulava pelas ruas da cidade com o animal, preso apenas por uma corda de nylon, numa camioneta. Foi apenas um caso entre muitos ocorrido no PaÌs. O mundo do circo È ligado ý alegria e n“o combina com cativeiro e maus-tratos a animais. Est· na hora de uma legislaÁ“o que ponha fim aos abusos que vÍm acontecendo. O ideal para ležes, tigres e macacos È o seu habitat ou, pelo menos, zoolÛgicos tipo saf·ri, que procuram reproduzir os locais de origem. Isto traz mais seguranÁa para a populaÁ“o e menos sofrimento para os animais.

Jornal o Povo - Fortaleza
06 Dezembro 17h10min
LEOA É BALEADA E MORTA EM PARACURU

ApÛs oito dias de caÁada, a leoa Chitara foi capturada no municÌpio de Paracuru, a 101 quilÙmetros de Fortaleza. Ela foi atingida por dois tiros na pata e no rosto, por volta das 7h30min. O animal foi trazido pela PolÌcia para a ClÌnica de Grandes Animais na faculdade de veterin·ria da Universidade Estadual do Cear· (Uece), no Itaperi. Segundo o mÈdico veterin·rio da Uece, AntÙnio P·dua, o animal estava desidratado e morreu em decorrÍncia dos tiros. O delegado de Paracuru, VladÈlio Nobre, est· investigando se o dono do Circo Fant·stico, respons·vel pela leoa, Marcos Vilar, tem autorizaÁ“o do Ibama para possuir uma leoa. Esta tarde a PolÌcia estar· ouvindo os tÈcnicos do Ibama que participaram da caÁada.

Jornal o Povo - Fortaleza
13 Dezembro 01h23min
CrÌticas ý (falta de) fiscalizaÁ“o

As crÌticas dos leitores ao Ibama s“o reforÁadas pela presidente da Uni“o Internacional de ProteÁ“o aos animais (UIPA) no Cear·, Geuza Leit“o. ''Essa leoa estava presa desde bebÍ, n“o tinha garras e n“o sabia caÁar. N“o estava colocando em risco a populaÁ“o e n“o precisava ter sido morta'', afirma Geuza. ''AlÈm disso, existem muitos mÈtodos que poderiam ter sido usados para captur·-la viva, e n“o foram por omiss“o ou incompetÍncia do Ibama'', acrescenta.

Ela tambÈm critica a falta de fiscalizaÁ“o das condiÁžes em que os animais s“o mantidos nos circos. ''NÛs mobilizamos todo o aparato que tÌnhamos e atÈ o ™ltimo momento tentamos capturar a leoa viva'', rebate Djalma Paiva, gerente executivo substituto do Ibama no Cear·. Ele afirma que, apesar do Ibama n“o dispor de espingardas com dardos tranq¸ilizantes, o equipamento foi obtido com outra instituiÁ“o durante a busca, mas n“o pÙde ser usado devido ý densidade da vegetaÁ“o no local da perseguiÁ“o. ''As condiÁžes naturais n“o viabilizaram o uso de dardos'', reforÁa. Djalma Paiva ressalta ainda que o Ibama n“o autorizou o abate da leoa. ''Mas pela prÛpria lei de crimes ambientais, quando um animal pže em risco a vida da populaÁ“o, a prioridade È o ser humano'', diz.

A lei determina ainda que deve haver ''autorizaÁ“o expressa da autoridade competente''. Paiva destaca que a fiscalizaÁ“o dos circos È de responsabilidade das prefeituras, que devem conceder um alvar· de funcionamento. ''Queremos conclamar as prefeituras do Cear· a procurarem o Ibama, sempre, antes de conceder o alvar· de funcionamento. O Ibama n“o tinha conhecimento de que este circo andava por aÌ'', diz, acrescentando que o Ûrg“o È favor·vel a uma proibiÁ“o legal do cativeiro de animais em circos.

De acordo com Djalma Paiva, o dono do Fant·stico Circo Show n“o apresentou a documentaÁ“o autorizando a posse e transporte da leoa. ''Pela legislaÁ“o, ele tem 20 dias para apresentar, mas alÈm de multado, ele sofrer· processo administrativo e criminal'', diz. Segundo Paiva, o corpo da leoa Chitara n“o estava em condiÁžes de ser empalhado; o esqueleto do animal deve ser montado na Faculdade de veterin·ria da Universidade Estadual do Cear· (Uece).

Jornal o Povo - Ceará
21 Dezembro 01h01min
A leoa e o circo
Eduardo Fontes Jornalista

Um exÈrcito de homens foi deslocado para caÁar nas matas de um lugarejo pacato do Paracuru um felino batizado pelo nome de Chitara. Em termos caboclos e primitivos, com a mesma garra indormida de como os americanos caÁam o terrorista Bin Laden, l· no Afeganist“o. AtÈ helicÛptero foi usado na caÁa ý leoa, que ganhou repentinamente a liberdade ao ter quebrada a jaula onde vinha sendo transportada em prec·rias condiÁžes.

Usaram todo um aparato bÈlico - fuzis, metralhadoras, revÛlveres, excurs“o aÈrea - numa movimentaÁ“o de tropa, com ajuda de caÁadores da regi“o, que mais parecia a busca a um perigoso bandido, um Bin Laden que, por uma raz“o qualquer, houvesse desembarcado em terras cearenses. SÛ faltou mesmo o concurso das ForÁas Armadas. E como demorou o processo de localizaÁ“o, captura e morte desse infeliz felino, que pensou um dia ganhar a liberdade que lhe foi tirada por homens maus, quando vivia l· em sua savana. Como se n“o bastasse, mataram-na, sem dÛ nem piedade, numa aÁ“o primitiva e grotesca que sÛ envergonha o Cear· e o Brasil.

Dentre todo o aparato usado para a captura da leoa, entre metralhadoras e revÛlveres, faltou o principal: uma arma provida de dardo tranq¸ilizante para imobilizar o animal. As desculpas s“o v·rias sobre o porquÍ da inoper’ncia da aÁ“o, que terminou com a morte do animal, apÛs nove dias de uma procura incessante. O fato tambÈm leva a uma constataÁ“o: se uma leoa, estranha ao meio e ý paisagem, conseguiu ''driblar'' seus perseguidores por todo esse tempo, quanto mais n“o È capaz de fazÍ-lo um bandido esmerilhado na arte do crime, um ''Lampi“o'' conhecedor do terreno. Levaria meses a sua pris“o. Talvez seja essa a vantagem de Bin Laden sobre a leoa Chitara. O ''Lampi“o'' do Afeganist“o conhece cada grota do terreno e sabe esconder-se como tatu. SÛ chamando as forÁas daqui.