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Rodeios:
Crueldade ou Diversão?
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Os rodeios são
promovidos como exercícios de coragem e valentia da habilidade
humana em conquistar as bestas ferozes e indomadas do velho Oeste.
Na realidade, os rodeios não são nada mais do que
uma exibição manipulada do domínio humano sobre
os animais, mal disfarçado de "entretenimento". O que começou
no final do século XIX como um concurso de habilidades entre
cowboys se transformou num show motivado por ganância e lucro.
As
Acrobacias
Os eventos padrão
de um rodeio incluem laçar um bezerro, corpo a corpo com
um novilho, montar um cavalo e um touro sem arreios, selar um potro
chucro e ordenhar uma vaca selvagem.Os animais usados nos rodeios
são artistas prisioneiros, a maioria dócil, mas compreensivamente
desconfiados dos seres humanos devido ao tratamento áspero
que receberam. Muitos desses animais não são agressivos
por natureza; eles são físicamente forçados
a demonstrar um comportamento selvagem para fazer os cowboys parecerem
corajosos.
Os organizadores de
rodeios alegam que o animal trabalha apenas por oito segundos, como
se não houvesse centenas de horas de treinos não supervisionados,
muitas vezes, com o mesmo animal. Eles contestam também que
os animais utilizados são selvagens e que pinoteiam por índole.
Caso fosse verdade o sedem não seria necessário e
o animal não pararia de pular após a retirada do mesmo.
Laçada
de bezerro: animal de apenas 40 dias é perseguido
em velocidade pelo cavaleiro, sendo laçado e derrubado ao
chão. Ocorre ruptura na medula espinhal, ocasionando morte
instantânea. Alguns ficam paralíticos ou sofrem rompimento
parcial ou total da traquéia. O resultado de ser atirado
violentamente para o chão tem causado a ruptura de diversos
órgãos internos levando o animal a uma morte lenta
e dolorosa.
Laço em
dupla/team roping: dois cowboys saem em disparada, sendo
que um deve laçar a cabeça do animal, e o outro as
pernas traseiras. Em seguida os peões esticam o boi entre
si, resultando em ligamentos e tendões distendidos,
além de músculos machucados.
Bulldog:
dois cavaleiros, em velocidade, ladeiam o animal que é derrubado
por um deles, segurando pelos chifres e torcendo seu pescoço.
Ferramentas de Tortura
Agulhadas elétricas,
um pedaço de madeira afiado, unguentos cáusticos e
outros dispositivos de tortura são usados para irritar e
enfurecer os animais usados nos rodeios,com o objetivo de mostrar
um "bom show "para a multidão.
Sedem ou sedenho:
é um artefato de couro ou crina que é amarrado ao
redor do corpo do animal (sobre pênis ou saco escrotal) e
que é puxado com força no momento em que o animal
sai à arena. Além do estímulo doloroso pode
também provocar rupturas viscerais, fraturas ósseas,
hemorragias subcutâneas, viscerais e internas e dependendo
do tipo de manobra e do tempo em que o animal fique exposto a tais
fatores, pode-se evoluir até o óbito.
Objetos pontiagudos:
pregos, pedras, alfinetes e arames em forma de anzol são
colocados nos sedenhos ou sob a sela do animal.
Peiteira e sino:
consiste em outra corda ou faixa de couro amarrada e retesada ao
redor do corpo, logo atrás da axila. O sino pendurado na
peiteira,contitui-se em mais um fator estressante pelo barulho que
produz à medida em que o animal pula.
Esporas:
às vezes pontiagudos, são aplicados pelo peão
tanto na região do baixo-ventre do animal como em seu pescoço,
provocando lesões e perfuração do globo ocular.
Choques elétricos
e mecânicos: aplicados nas partes sensíveis
do animal antes da entrada à arena.
Terebentina, pimenta
e outras substâncias abrasivas: são introduzidas
no corpo do animal
Golpes e marretadas:
na cabeça do animal, seguido de choque elétrico, costumam
produzir convulsões no animal e são o método
mais usado quando o animal já está velho ou cansado.
Esses recursos que fazem
o animal saltar descontroladamente, atingindo altura não
condizente com sua estrutura, resultam em fratura de perna, pescoço
e coluna, distensões, contusões, quedas, etc.
Segundo a Dra.Irvênia
Prada, que foi por muitos anos Professora Titular da Faculdade de
Medicina da USP e tendo mais de uma centena de trabalhos publicados
em Anatomia Animal, ao observar as fotos dos animais em plena atividade
no rodeio declarou: "os olhos dos animais mostram uma grande área
arredondada, luminosa, consequente à dilatação
de sua pupila. Na presença de luz, a pupila tende a diminuir
de diâmetro (miose). Ao contrário, a dilatação
da pupila (midríase) acontece na diminuição
ou ausência de luz, na vigência de processo doloroso
intenso e na vivência de fortes emoções (medo,
pânico..) e que acompanham situações de perigo
iminente, caracterizando a chamada Síndrome de Emergência
de Canon. No ambiente da arena de rodeio, o esperado seria que os
animais estivessem em miose, pela presença de luz. Assim,
a midríase que exibem é altamente indicativa de que
estejam na vigência da citada Síndrome de Emergência,
o que caracteriza o sofrimento mental."
Fazendo
Frente ao Mito
Num estudo
conduzido pela Humane Society of the United States, dois cavalos
conhecidos pelos seus temperamentos gentis foram submetidos ao uso
da cinta no flanco. Ambos pularam dando coices até a cinta
sair. Então vários cavalos do circuito de rodeio foram
liberados dos currais sem a cinta no flanco e não pularam
nem deram coices, mostrando que o comportamento selvagem e frenético
dos animais é induzido pelos cowboys e promotores dos rodeios.
O
Fim da Trilha
O médico veterinário
Dr. C.G. Haber, que passou 30 anos como inspetor federal de carne,
trabalhou em matadouros e viu vários animais descartados
de rodeios sendo vendidos para abate. Ele descreveu os animais como
"tão machucados que as únicas áreas em que
a pele estava ligada à carne eram cabeça, pescoço,
pernas e abdome. Eu vi animais com 6 a 8 costelas quebradas à
partir da coluna, muitas vezes perfurando os pulmões. Eu
vi de 2 a 3 galões de sangue livre acumulado sobre a pele
solta. Estes ferimentos são resultado dos animais serem laçados
nos torneios de laçar novilhos ou quando são montados
através de pulos nas luta de bezerros." (1)
Os promotores
de rodeio argumentam que precisam tratar seus animais bem para que
eles sejam saudáveis e possam ser usados. Mas esta afirmativa
é desmentida por uma declaração do Dr. T.K.
Hardy, um veterinário e às vezes laçador de
bezerros, feita à revista Newsweek: "Eu mantenho 30 cabeças
de gado para prática, a U$200 por cabeça. Você
pode aleijar três ou quatro numa tarde... É um hobby
bem caro." (2) Infelizmente existe um fornecimento constante de
animais descartados à disposição dos promotores
de rodeios os quais tiveram seus próprios animais esgotados
ou irremediavelmente feridos. Conforme o Dr. Harber documentou,os
circuitos de rodeio são apenas um desvio na estrada dos matadouros.
Escolhas
e Oportunidades
Embora os cowboys de
rodeio voluntariamente arrisquem-se a sofrer injúrias nos
eventos em que participam, os animais que eles usam não têm
esta escolha. Em 1986, no rodeio de Calgary em Alberta no Canadá,
um dos maiores rodeios da América do Norte, oito cavalos
foram mortos ou fatalmente feridos num acidente numa corrida de
carroças. Pelo fato da velocidade ser importante em vários
rodeios, o risco de acidentes é alto.
Bezerros laçados
quando estão correndo a mais de 27 milhas por hora, têm
seus pescoços tracionados para trás pelo laço,
geralmente resultando em injúrias no pescoço e costas,contusões,
ossos quebrados e hemorragias internas. Bezerros ficam paralíticos
devido à lesão de coluna vertebral ou suas traquéias
ficam parcialmente ou totalmente machucadas.(3) Bezerros são
usados apenas em um rodeio antes de voltarem ao rancho ou serem
sacrificados devido aos ferimentos.(4)
Os cavalos dos rodeios
geralmente desenvolvem problemas de coluna devido aos repetidos
golpes que sofrem. Devido ao fato de cavalos não ficarem
normalmente pulando para cima e para baixo,existe também
o risco de lesão das patas quando o tendão se rompe.
As regras da associação
de rodeios não são eficazes na prevenção
de lesões e não são cobradas com rigor, nem
as multas são severas o bastante para evitar maus tratos.
Por exemplo, se um bezerro é ferido num torneio, a única
punição é que o laçador não poderá
laçar outro animal naquele dia. Se o laçador arrastar
o bezerro, ele poderá ser desclassificado. Não há
regras protegendo os animais durante as provas e não há
nenhum observador objetivo ou exames requisitados para determinar
se um animal foi ferido num evento.(6)
Notas
1.Human
Society of the United States, interview with C.G. Haber, DVM (Rossburg,
Ohio),1979
2."Rodeo :American Tragedy or Legalized Cruelty?" The Animals Agenda,
March 1990
3.Dr. E.J. Finocchio, DVM, Letter to Rhode Island State Legislature.
Feb. 28, 1989
4."Rodeo Critics Call It "Legalized Cruelty", San Francisco Chronicle,
June 25, 1981
5.Lipsher, Steve, "Veterinarian Calls Rodeos Brutal to Stock" Denver
Post, Jan 20, 1991
6.Schmitz, Jon "Council Bucks Masloff’s Veto On Rodeo
Bill" Pittsburgh Press, Nov27, 1990
Fonte:
SUIPA - Sociedade
União Internacional de Proteção aos Animais
PETA - People
for Ethical Treatment of Animals
Tradução: Luiziania de C.M.de Barros
Banner ilustração - Lenita Ouro Preto - S.O.S
Animais
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