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Mudando
a Percepção sobre os Animais
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O artigo do Professor
Linzey faz parte de uma série sobre "Literatura Teológica"
que foi publicada em 97/98 no BTI Newsletter/Mansfield College,
Oxford University BTI Newsletter, Volume XXVII, Nro. 28 15/04/1998
"Eu
não sei porque você se perturba tanto - eles são
apenas animais, afinal de contas."
Quantas vezes vocês
já ouviram isso? Embutida na frase está a crença
que devemos desmascarar e confrontar: a idéia de que animais
são "apenas animais" - isto é, que eles são
meras coisas, mercadorias, recursos para o nosso uso. O que devemos
lutar é contra a percepção de que os animais
não são nada além de coisas feitas para os
humanos. Se hoje usamos animais de fazenda como apenas meios para
os objetivos humanos é porque nossos ancestrais pensavam
que isso seria verdade.
Mudar percepções
é um processo difícil, árduo e arriscado. Antigamente,
eu pensava que era fácil. Hoje eu reconheço que é
uma das tarefas mais exigentes do mundo inteiro. As pessoas raramente
querem repensar suas idéias, confrontar seus próprios
preconceitos, desafiar os hábitos da mente e do corpo a que
foram acostumados.
"Poucas pessoas pensam",
escreveu Bertrand Russell, "a maioria das pessoas preferiria morrer
do que pensar, e a maioria delas na verdade fazem exatamente isso."
E ainda sem uma mudança de percepção - e uma
mudança fundamental - não haverá futuro para
o movimento de defesa dos animais. Campanhas, estratégias,
petições, protestos - toda a parafernália do
ativismo é essencial, é claro, mas por si própria
dificilmente poderá causar a necessária mudança
de percepção.
Se alguém examina
os movimentos reformistas similares, pela abolição
da escravatura ou a emancipação feminina, por exemplo,
poderá ver em retrospecto o quão essencial - e simples
- foram as visões fundamentais que motivaram esses movimentos:
o igual valor e dignidade de todas os seres humanos, negros ou brancos,
homens e mulheres. O movimento dos animais tem a ver com a percepção
do valor intríseco dado por Deus à cada um dos seres
sensíveis. À primeira vista, isso parece uma coisa
simples, até elementar, mas eu pude ver que a maioria não
tem essa mesma percepção - ou se têm, não
querem demonstrá-la.
Da forma como eu vejo,
a nossa tarefa é encorajar, convidar e às vezes exortar
as pessoas a olhar para os animais como mais do que se pensa que
um "animal" é. Cada criatura é um ser sensível,
vivente, que vale por si próprio e não pelo que pode
nos dar em troca ou pelo uso que possamos dar a esse ser.
Esse trabalho, eu acredito,
é uma tarefa principalmente espiritual. Para mim, os direitos
dos animais têm a ver com uma percepção e luta
espirituais. E por "espiritual" eu não quero dizer religião
organizada, eu quero dizer uma consciência ampliada do valor
da criação divinamente concedido e a abominação
da crueldade como algo mau em si. Em minha visão, o valor
dos animais é algo a ser descoberto - uma descoberta de novos
aspectos da psique humana.
Por quase 25 anos, eu
tenho trabalhado com igrejas cristãs para tentar animá-las
a serem o canal para essa nova sensibilidade. Infelizmente, as igrejas,
que deveriam ser líderes no movimento de proteção
aos animais, ainda não se envolveram. Mas mesmo que as igrejas
sejam lentas para responderem às novas idéias, a teologia
cristã pode dar um forte fundamento racional para as idéias
que as próprias igrejas têm negligenciado.
De uma perspectiva teológica
cristã, os animais não são nossa propriedade;
nós não os possuímos. Não temos direitos
absolutos nesse planeta: somente o dever de cuidar. Afinal
de contas, o quê esses animais são senão criaturas
de Deus ? Se isso não puder dar uma base para o respeito
necessário e urgente de suas vidas individuais, eu não
sei o que mais poderá dar essa base.
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