Quando ajudar se transforma em colecionar

Quando o desejo de ajudar animais se verte em uma séria condição psiquiátrica?
Por Faith Maloney - Diretor do santuário Best Friends

Doris estava morta há dois dias quando a acharam. Quando os para-médicos abriram a porta, o poder do mau cheiro dos excrementos gatos bateu-lhes como uma parede. Gatos em pânico voavam por toda a parte da casa; pilhas de dejetos de gatos e vasilhas de comida velha por toda parte do chão. Depois que os para- médicos retiraram o corpo de Doris eles chamaram o oficial de controle de animais, que me chamou para ir ajudá-lo a retirar os gatos. Eu já tinha lido estórias de pessoas como Doris nos jornais, mas esta, foi a primeira vez que eu estava vendo os efeitos de uma conhecida condição mental chamada Coleção de Animais.

A casa estava imunda, o mau cheiro era excessivo. Os gatos estavam assustados e hostis. Não havia comida em evidência e a única água vinha de um vazamento da torneira da pia. Minha equipe e eu começamos a capturar os gatos com as redes e caixas transportadoras e a dar-lhes a ajuda de que precisavam. Havia várias crias de gatinhos em vários cantos da sala principal. Era fácil pegá-los, mas saber quem eram as mães não era fácil. Depois que capturamos cada gato, checamos para ver se algumas estavam amamentando, então, podíamos tentar combinar os filhotes com suas respectivas mães depois.

Quando terminamos o trabalho, tinhamos removido 56 gatos e filhotes da casa. Felizmente a maioria encontrou novos lares. Os ferais continuaram a viver no Best Friends.

O que é um colecionador de animais? Nunca conheci Doris, portanto, não sei como ela começou a recolher gatos. Especialistas nos falam que coleção de animais é uma doença de desordem mental relacionada à desordem obsessiva compulsiva. A maioria dos colecionadores são mulheres de meia-idade ou idade avançada que moram sozinhas. Geralmente os animais escolhidos são os gatos - é mais fácil manter gatos dentro de casa, fora do alcance dos olhos da vizinhança. Geralmente, quando outras pessoas são alertadas para uma má situação, podem haver centenas de gatos abarrotados numa casa ou trailer.

Alguns colecionadores de animais começam com a melhor das intençoes, mas, gradualmente, os animais perdem sua identidade, tornando-se objetos a serem coletados apenas como algumas pessoas colecionam revistas velhas ou latas ou bolas. Recolher os animais não é suficiente; a menos que perpetradores recebam ajuda profissional, a maioria se muda de local e começam tudo de novo.

Nem todos que terminam com muitos animais são colecionadores. Há uma grande diferença entre o que resgata cuja situação está ficando fora do controle e um colecionador de animais que tem doença mental e está usando animais para alimentar sua compulsão. Conheci muitos amantes de animais que resgataram mais animais do que podem manter em casa e que se acharam com problemas. Estas pessoas não são doentes.

Não pegue mais do que você pode manter. Tenha a Karen como exemplo. Ela viu um grande grupo de gatos ferais mal cuidados de uma área no centro da cidade movimentada perto do seu trabalho. Era sua primeira operação de resgate. Ela e uma amiga capturaram os gatos, levaram para vacinar e tratar, retornaram os adultos para a colônia, e fez uma escala diária de alimentação. Ela manteve os filhotes em casa para prepará-los para adoção. Um excelente plano. O marido da Karen era estável profissionalmente e, como eles têm excelentes empregos, eles podiam arcar com um ônus financeiro extra. Mas, não se sabe o porque, as coisas começaram a escorrer pelas mãos. Karen trouxe alguns gatos adultos que precisavam de cuidados especiais. Um deles começou a borrifar urina; os outros decidiram que era uma brincadeira nova. O marido de Karen começou a ver que o investimento que eles fizeram para uma bela casa estava indo pelo ralo. Eles foram tendo momentos de tensões. Os dois se deram conta de que algo precisava ser feito pelo bem de seu casamento e dos gatos. Procuraram soluções, começando com um gatil para o borrifador e seus amigos e começaram a trabalhar com outros grupos de animais em sua área para alojar alguns dos gatos em novos lares. Karen não estava em perigo de passar dos limites porque ela não tinha a doença mental que deixou Doris entrar naquele obscuro caminho. Mas ainda há uma grande lição para todos nós pensarmos em não pegarmos além do que podemos agüentar.

Se você achou a si mesmo, a um amigo, ou a membro da família parecido com algum deles, então, chegou a hora de parar e pensar em pedir ajuda. Um lento e sóbrio andamento de cuidados, tomando somente o que podemos suportar bem, no final, vai ajudar mais a prevenir incêndios e desastres. Para ajudar de verdade os animais, precisamos estar saudáveis de mente e de corpo. Como tudo na vida, equilíbrio é essencial.

Colecionadores geralmente possuem crenças erradas sobre os cuidado de fatos de animais em abrigos; eles se vêem como as únicas pessoas que se importam.

Coleção de Animais

A compulsão em colecionar animais é uma doença mental menos reconhecida. Em 1999, a Sociedade Casa de Coelho encontrou colecionadores de coelhos em Minneapolis (mais de 400 coelhos), Sacramento (mais de 200 coelhos) e San Diego (mais de 50 coelhos) A Sociedade Humanitária do Condado de encontram colecionadores ano após ano. Cuidar destes animais confiscados, que têm geralmente saúde precária, dá lugar a um enorme e inesperado esgotamento dos recursos limitados dos libertadores.

Colecionadores são quase sempre pessoas com boas intenções e amam animais. Eles também não conseguem dizer "não" quando há algum animal que precisa ser resgatado. Colecionadores quase sempre têm crenças erradas sobre o cuidado de fato de animais em abrigos. Depois que um colecionador acha uma desculpa para não doar o animal para um bom lar e, então, o animal fica. Eventualmente há muitos animais para o colecionador cuidar. Animais ficam doentes e não recebem cuidados médicos. Dejetos não são removidos; e a saúde dos animais fica em risco, exatamente a situação que o colecionador achava que estava prevenindo.

Uma pesquisa recentemente publicada na Universidade de Tufts (1) constatou que os colecionadores freqüentemente vêem os animais "resgatados" como substitutos de crianças ou de amor. Eles formam vínculos emocionais excessivos aos animais e possuem uma necessidade anormal de controlar estes aspectos emocionais de suas vidas. Mesmo depois que os animais são confiscados, quase sempre, o colecionador retoma seu comportamento de colecionador. Infelizmente a coleção de animais ainda não é vista como um problema de doença mental e, agências, raras vezes, coordenam suas atividades em solucionar o caso.

Em uma publicação de casos recentes, os estudos acharam que três quartos de colecionadores são femininos; três quartos são solteiros, divorciados ou viúvos; mais da metade mora só; quase a metade têm 60 anos ou mais e 37% estão entre 40 e 59 anos. Em 80% dos casos, alguns animais foram achados mortos ou em péssima condição. As premissas foram insanidade e superpopulação.

Alguns sinais de alerta do comportamento de um colecionador:-

- Inabilidade de recusar um animal necessitado, mesmo que tenha muitos em casa.
- Acha sempre desculpa para resgatar mesmo se há grandes dificuldades financeiras para abrigar
- Má vontade em doar animal resgatado para bons lares e acham sempre desculpas para rejeitar os adotantes.

Inabilidade para cuidar de animais, tanto física quanto emocionalmente erraram as crenças sobre as necessidades dos animais colecionados e sobre alternativas de abrigos evitando comportamentos que vão expor o colecionador, assim como convidar amigos em casa.

O que distingue um libertador de um colecionador?

Como libertadores, sabemos que temos limites. Não podemos resgatar todos os animais mas ajudaremos aqueles que pudermos. Sabemos que um lar adotivo é um grande provedor do amor e do cuidado que um animal de companhia precisa. Mais ainda, alojando um coelho em um lar permanente cria espaço para resgatar outro coelho abandonado. Colecionar não resolve o problema; apenas cria um grande problema posterior para os verdadeiros libertadores.

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